Filme de Fernando Meirelles estreia sexta-feira nos cinemas

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles é bastante conhecido nacional e internacionalmente.  A notoriedade no exterior surgiu após o lançamento do filme brasileiro “Cidade de Deus”, de 2002, pelo qual Meirelles foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor, em 2004. Depois do sucesso da grande produção brasileira, Meirelles ficou em evidência por dirigir longas internacionais, como “O Jardineiro Fiel”, de 2005 – inspirado no romance homônimo de John Le Carré – e “Ensaio sobre a Cegueira”, de 2008 – inspirado no romance homônimo de José Saramago.

Na produção de 2008, o cineasta ganhou destaque por apostar em talentos brasileiros para compor o elenco. No filme, a brasileira Alice Braga contracena com Julianne Moore, Mark Ruffalo e Gael García Bernal.

Em seu novo filme, “360”, que será lançado no Brasil nesta sexta-feira, dia 17, Meirelles continua investindo na mistura entre talentos brasileiros e estrangeiros. Nesta segunda, o diretor esteve em São Paulo para a pré – estreia do mais recente longa. A redação do CEL LEP BLOG esteve presente no evento e conta o que rolou:

Paulistanos assistem pré-estreia de “360” em evento gratuito

 Por Thaís Santana

 

Na noite de segunda-feira o diretor Fernando Meirelles e a atriz Maria Flor estiveram presentes na pré-estreia do filme “360”, evento gratuito promovido pelo jornal Folha de S. Paulo em parceria com o Cine Livraria Cultura, em São Paulo. Após a exibição do filme, o público conferiu um debate com Meirelles e Maria Flor – mediado por Fernanda Mena, editora do caderno “Ilustrada”, da Folha, e André Barcinski, crítico do jornal.

“360” possui muitos personagens e uma trama composta por diferentes  narrativas que se cruzam ao longo da exibição.  Viena, Paris, Londres, Bratislava, Denver e Phoenix são algumas das cidades onde as histórias se desenvolvem. Quando questionado sobre o título do filme, Meirelles explicou. “O título representa um círculo, pois as histórias começam e terminam no mesmo lugar. Um personagem tem a ver com o outro, as histórias se cruzam, se interligam”.  O roteiro de “360” foi escrito por Peter Morgan. Meirelles ficou responsável por fazer a ligação entre os personagens. Para escrever o longa, Morgan se inspirou na peça “La Ronde” – do escritor austríaco Arthur Schnitzler (1892-1931).

As histórias relatadas nas cenas iniciais do filme são da recém-prostituta Blanka e sua irmã Ana, ambas eslovacas. No decorrer da película aparecem: Laura – Maria Flor – que decide voltar para o Brasil, após descobrir a traição do namorado Rui – Juliano Cazarré – com a personagem de Rachel Weisz. O alcoólatra John – Anthony Hopkins – que vive em Londres e procura pela filha desaparecida há anos. A francesa Valentina e o marido russo, Sergei, entre outros.  A produção tem como tema central a importância das escolhas. Será que se cada personagem tivesse escolhido outros caminhos suas vidas se interligariam mesmo assim? Talvez não.

Sobre isso, o diretor acrescenta: “O filme é interessante, pois não possui protagonista e nem antagonista. O antagonista está dentro de cada um. Cada personagem é livre, responsável por suas escolhas e tem o poder de decidir para onde vai”, explica Meirelles.

Já a atriz Maria Flor compartilhou com o público como foi trabalhar com Anthony Hopkins. “Quando decidi ser atriz, nunca pensei que iria contracenar com Hopkins. A princípio, fiquei com medo, mas esse medo veio abaixo quando percebi que Anthony é uma pessoa normal, com erros e acertos. Deu uma desmistificada e foi muito bom”, relata.

Questionada sobre como foi a experiência de gravar em outro idioma – já que em boa parte do filme Flor se comunica com os personagens em língua inglesa – a atriz comentou que há lados positivos de negativos nessa questão. “O bom de ter interpretado uma personagem que fala um idioma diferente do meu, foi a possibilidade de me distanciar ao máximo de mim mesma. Isso me ajudou bastante com a Laura. Porém, era bem difícil improvisar, eu tinha que estar sempre muito segura das falas para não gaguejar na frente de Anthony.  Por isso, comecei a estudar o sotaque britânico e o texto muito antes do início das filmagens”, conta.

Meirelles também comentou sobre a oportunidade de dirigir atores que falam diferentes línguas. “Mesmo quando você não entende o idioma dos atores é fácil dirigir, pois você já sabe quais são as falas – eu tenho a tradução de todas elas. Além disso, a fala é só um elemento da cena. Há muitos outros, como olhar, gestos e toque”, disse.

O diretor encerrou o bate-papo definindo-se como um cineasta “internacional genérico”: “Os filmes que tenho dirigido são internacionais e também brasileiros. Não penso muito se o filme é brasileiro ou não. Se gravado aqui no Brasil, em língua portuguesa, é brasileiro. Lá fora eu faço filmes do mundo, sobre o mundo. Sou um “internacional genérico”. Mas adianto que está em meus projetos fazer um filme falado em português”, finaliza.

A partir desta sexta-feira, dia 17, será possível conferir “360” nos principais cinemas brasileiros. Mesmo não possuindo uma narrativa central, a película é bastante interessante e envolvente. A trama nos faz refletir sobre a importância dos caminhos que escolhemos seguir pela vida ao relatar várias histórias de pessoas que têm algo em comum: buscam, apesar de tudo, a felicidade.

E para estudantes da língua inglesa o filme é pra lá de importante, não só por exibir a desenvoltura com que os atores brasileiros Maria Flor e Juliano Cazarré se comunicam em outro idioma, mas, principalmente, por expor uma mistura de nacionalidades e sotaques. No decorrer do longa, alguns personagens procuram aprender inglês, este é o caso de Sergei – interpretado pelo ator russo Vladimir Vdovichenkov – que em determinados momentos ensaia sua pronúncia inglesa carregada de sotaque russo. Vale a pena conferir. Bom filme!